A Água de Coco e a reposição hídrica em atletas de alto rendimento.

O coqueiro anão constitui-se na variedade de coqueiro mais utilizada comercialmente no Brasil para obtenção da água-de-coco (ARAGÃO, 2000 in CARVALHO, J. M. de C. et al., 2006).

RESUMO

A água de coco é utilizada como alternativa às bebidas esportivas convencionais para hidratação durante os exercícios de resistência, por conter em sua composição sódio, cloreto, potássio e glicose. Exercícios de resistência prolongados podem resultar em alterações clinicamente significativas no conteúdo de água corporal e na concentração de eletrólitos Burke, LM.,2021). A formação de suor para auxiliar na termorregulação resulta em perdas substanciais de fluidos corporais. Além disso, como o suor é tipicamente hipotônico em relação ao plasma, as perdas de suor associadas ao exercício levam à hipovolemia hipertônica. A redução do volume plasmático está associada ao aumento do esforço cardiovascular, à maior percepção do esforço e à diminuição do fluxo sanguíneo muscular. Perdas de peso superiores a 4% da massa corporal resultam em muitos atletas sofrendo condições adversas, incluindo encefalopatia hiponatrêmica. Consequentemente, manter a hidratação é uma consideração essencial para atletas de resistência (Medicine & Science in Sports & Exercise, 2007). Portanto, merece destaque no mundo científico os efeitos da água de coco como uma alternativa mais natural às bebidas esportivas tradicionais à base de carboidratos.na recuperação de atletas.

Palavras-chave: Água de coco. bebidas esportivas. Potássio. Rehidratação.

INTRODUÇÃO

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, mediante a Instrução Normativa n. 39 de 29 de maio de 2002, aprovou o regulamento técnico para fixação do padrão de identidade e qualidade (PIQ) da água de coco, definindo-a como a bebida obtida da parte líquida do fruto do coqueiro (Cocos nucifera L.), por meio de processo tecnológico adequado, não diluído e não fermentado. Deve apresentar cor característica, sabor levemente adocicado, aroma próprio e aparência de líquido variando de translúcido a opaco (PENHA, E. das M.; CABRAL, LOURDES MARIA CORRÊA; MATTA, VM da, 2005). A água de coco é o endosperma líquido dos cocos verdes (Cocos nucifera L.), que é a mais difundida naturalmente planta de frutas na terra.

O consumo da água de-coco no Brasil é de grande extensão e com grande perspectiva de aproveitamento por outros países (ARAGÃO, 2000).O coqueiro é cultivado predominantemente no litoral da Região Nordeste, local de sua introdução pelos portugueses (CUENCA et al., 2002).Em 2003 destacavam-se os estados da Bahia como o maior produtor (96.546 hectares), seguida pelo estado de Sergipe (39.994 hectares) e pelo Ceará (39.465 hectares) (INSTITUTO…, 2004).O coqueiro anão constitui-se na variedade de coqueiro mais utilizada comercialmente no Brasil para obtenção da água-de-coco. A água de coco é o endosperma líquido dos cocos verdes (Cocos nucifera L.), que é a mais difundida naturalmente planta de frutas na terra.Conhecido pelos havaianos como Noelani, que significa “orvalho do céu”, é rico em eletrólitos, vitaminas, minerais, citocinas e proteínas e há muito tempo é elogiado por suas qualidades medicinais, incluindo hidratação natural, alto teor de fibras e laxante, efeito diurético, impacto antienvelhecimento, propriedades antimicrobianas e aumento de energia.

A ÁGUA DE COCO E A REPOSIÇÃO HÍDRICA

Se os atletas ficarem desidratados, a reidratação é essencial. Bebidas esportivas são formuladas para fornecer energia ao atleta durante o exercício e também para auxiliar na reidratação. Uma nova alternativa às bebidas esportivas comerciais é a água de coco, que contém naturalmente eletrólitos como potássio, magnésio, cálcio e sódio, além de açúcares naturais como glicose e frutose (LEISHMAN, Andrew., 2015), conforme já mencionado anteriormente.

A água-de-coco corresponde a aproximadamente 25% do peso do fruto, e sua composição básica apresenta 93% de água, 5% de açúcares, além de proteínas, vitaminas e sais minerais, sendo uma bebida leve, refrescante e pouco calórica(ARAGÃO, 2000 in CARVALHO, J. M. de C. et al., 2006), apresentando em média 20 calorias/100 mL (ARAGÃO et al. 2001). A água-de-coco contém açúcares dissolvidos, sacarose e glicose que variam com o grau de maturação do fruto(MAGDA, 1992 in CARVALHO, J. M. de C. et al., 2006). O conteúdo mineral da água-de-coco mostra modificações durante o processo de maturação do fruto. O potássio é o eletrólito mais abundante durante toda a maturação, o sódio apresenta um incremento, cálcio, magnésio, cloreto, ferro e cobre apresentam-se estáveis durante o processo de maturação e o enxofre tem um aumento lento (ARAGÃO et al., 2001).

A água do coco verde vem sendo usada como uma alternativa de repositor de eletrólitos durante sessões de atividades físicas de alta intensidade devido à sua composição físico-química que é rica em sais minerais, aminoácidos, proteínas, vitaminas e minerais.Eletrólitos e água em soluções isotônicas são mais rapidamente absorvidos do que em outras situações, restabelecendo prontamente as perdas destes nutrientes. Eletrólitos, tais como sódio e potássio, devem estar presentes na composição das bebidas isotônicas, a fim de possibilitar a recuperação das perdas de sódio e potássio através da urina e da pele. A água-de-coco apresenta em sua composição estes componentes (ARAGÃO et al., 2001).Os cátions predominantes são potássio, cálcio e magnésio (Antônio, A.C.L. et al., 2015). O potássio é o eletrólito mais abundante durante toda a maturação, sendo que diversos autores citam, que corresponde a 2/3 do total de minerais da água (PENHA, E. das M.; CABRAL, LOURDES MARIA CORRÊA; MATTA, VM da, 2005). Sódio, cloro e fosfato são encontrados em menores concentrações. Esta solução hipotônica é mais ácida do que o plasma sanguíneo (Antônio, A.C.L. et al., 2015).

Em uma hora de exercício físico ininterrupto, o corpo perde muita água ao transpirar. Esse suor contém pequenas quantidades de eletrólitos minerais, sobretudo sódio, mas também potássio e carboidratos (açúcares), cuja perda produz fadiga. A reposição de eletrólitos é de fundamental importância para o balanço osmótico das células (Antônio, A.C.L. et al., 2015). Em maiores níveis de desidratação há o aumento da temperatura esofágica que sinaliza para a redução da sudorese, levando a aumento na osmolaridade do plasma sanguíneo e na concentração sérica de sódio. Isto sugere que a ingestão de líquidos durante o exercício previne variações na osmolaridade e na concentração plasmática de sódio. . Isto sugere que a ingestão de líquidos durante o exercício previne variações na osmolaridade e na concentração plasmática de sódio, como originalmente proposto por Dill (SILVA et al, 2011)Em atletas, a reposição de eletrólitos precisa ser feita antes, durante e depois dos treinos. Essa reposição deve ser feita de forma rápida e eficiente, por produtos específicos, tais como as bebidas esportivas, para que haja a manutenção deste balanço osmótico das células e os atletas não percam rendimento durante a atividade física. A água de coco vem sendo utilizada por atletas de alto desempenho como um isotônico natural devido sua alta osmolaridade, altos níveis de carboidratos, principalmente, frutose e glicose e é rica em aminoácidos, tais como lisina, cistina, fenilalanina, histidina e triptofano (Antônio, A.C.L. et al., 2015). Saat et al. (2002) afirmaram que a ingestão de água-de-coco pode ser utilizada para reidratação após o exercício físico. Segundo esses autores a água de coco, além de reidratante, apresenta algumas vantagens em relação às bebidas a base de carboidratos e eletrólitos, sendo suficientemente adocicada, não causa náusea, não apresenta sensação de abundância ou desordem no estômago, além de ser facilmente consumida em grande quantidade. Patel,RM. 2018, demonstrou que o consumo de água de coco aumenta os níveis urinários de potássio, cloreto e citrato em indivíduos sem histórico de formação de cálculos.

O Atleta e a Hidratação

Durante muitos eventos esportivos, a evaporação do suor desempenha um papel substancial na dissipação do excesso de calor produzido pelo músculo em atividade ou absorvido do ambiente, reduzindo as reservas de água corporal no processo (Gonzalez et al., 2009 ; Periard et al., 2021 ). Os atletas podem compensar as perdas de suor consumindo líquidos durante o evento (Garth & Burke, 2013 ) ou, em menor escala, hiper-hidratando-se nas horas que antecedem o evento por meio da ingestão de grandes volumes de líquidos contendo osmólitos, como glicerol e/ou cloreto de sódio (Goulet et al., 2018 (Burke, LM.,2021). 

As taxas de sudorese durante competições esportivas variam consideravelmente de acordo com o tipo e a intensidade da prova, as condições ambientais em que ocorre (temperatura, umidade, velocidade do vento, altitude, etc.), o tamanho e a composição corporal do atleta, suas vestimentas ou outros equipamentos de proteção e seu nível de treinamento e aclimatação (Gonzalez et al., 2009) (Burke, LM.,2021). 

As diretrizes para a ingestão de líquidos durante competições esportivas evoluíram de forma notável, porém controversa, nas últimas décadas. Entre as principais características, incluem-se recomendações para flexibilizar as restrições históricas à ingestão de líquidos dentro das regras oficiais das competições (American College of Sports Medicine, 1975 ), diretrizes proativas, porém padronizadas, para a ingestão de líquidos com o objetivo de minimizar a discrepância entre a ingestão de líquidos e as perdas por suor (American College of Sports Medicine, 1975). 1987 ) e posicionamentos revisados ​​para planos individualizados de ingestão de líquidos “programados” que defendem (sempre que possível) um padrão ouro de hidratação (sugerido como perda de <2% da massa corporal durante o evento), mas alertam contra a ingestão excessiva de líquidos (evidenciada por um aumento na massa corporal) para prevenir o desenvolvimento de hiponatremia (Sawka et al., 2007 in Burke, LM, 2021). 

Segundo a National Athletic Trainer’s Association (NATA), os indivíduos não ingerem  voluntariamente água suficiente para prevenir a desidratação durante uma atividade  física. Entretanto, a excessiva ingestão de líquidos deve ser evitada, uma vez que  também pode comprometer o desempenho e a saúde do indivíduo (SILVA et al, 2011).

A desidratação, se suficientemente grave, prejudica o desempenho físico e mental, e os decréscimos de desempenho são maiores em ambientes quentes e em exercícios duradouros (Maughan & Shirreffs., 2010). Os atletas devem começar o exercício bem hidratado e devem beber durante o exercício para limitar os déficits de água e sal.

A desidratação aumenta o esforço fisiológico, medido pela temperatura central, frequência cardíaca e percepção de esforço durante o exercício em ambiente de estresse térmico. Quanto maior o déficit de água corporal, maior o aumento do esforço fisiológico para uma determinada tarefa de exercício. A desidratação superior a 2% do peso corporal prejudica o desempenho aeróbico e o desempenho cognitivo/mental em ambientes temperados a quentes. Níveis mais elevados de desidratação prejudicam ainda mais o desempenho em exercícios aeróbicos. Os fatores fisiológicos que contribuem para a redução do desempenho em exercícios aeróbicos mediada pela desidratação incluem o aumento da temperatura corporal central, o aumento do esforço cardiovascular, o aumento da utilização de glicogênio, a alteração da função metabólica e, possivelmente, a alteração da função do sistema nervoso central. Embora cada fator seja único, as evidências sugerem que eles interagem e contribuem em conjunto, e não isoladamente, para a degradação do desempenho em exercícios aeróbicos (ACSM, 2009).

Os atletas devem começar o exercício bem hidratado e devem beber durante o exercício para limitar os déficits de água e sal. Apesar dos efeitos negativos de iniciar o exercício em estado de hipohidratação, parece bastante comum que atletas de vários esportes iniciem o treinamento ou a competição com algum grau de déficit de fluidos. Durante o exercício, a maioria bebe menos que suas perdas de suor, alguns bebem demais e alguns desenvolvem hiponatremia. Estratégias de reposição de fluidos são essenciais em situações de exercício com grande perda de suor. Deve-se adicionar sódio às bebidas e/ou alimentos quando as perdas forem elevadas. As perdas de água e sal variam muito, portanto, é necessária uma prescrição individual. Os atletas devem assumir a responsabilidade por identificar sua própria estratégia de reidratação, o que significa avaliar seu estado de hidratação antes do exercício, avaliar a taxa de sudorese e a adequação da ingestão de líquidos, e estimar a necessidade de reposição de sal (Maughan & Shirreffs.,2010).

Segundo a National Athletic Trainer’s Association (NATA), para assegurar o estado de hidratação e providamente manutenção do desempenho, os atletas devem ingerir aproximadamente 500  a  600  mL de água ou outra bebida esportiva duas a três horas antes do exercício e 200 a  300 mL 10  a  20 minutos antes do exercício. A reposição de líquidos deve aproximar-se das perdas pelo suor e pela urina (SILVA et al,2011). São sugeridas pelo ACSM e o NATA estratégias que facilitem a hidratação do atleta durante  o exercício, que devem ser baseadas em mecanismos como temperatura e micronutrientes presentes no liquido.

Estudos com a hidratação de atletas

Estudo comparativo sobre água de coco, bebida esportiva com eletrólitos de carboidratos e bebida com coco enriquecido com sódio sobre medidas de hidratação e desempenho físico em atletas.O estudo concluiu que a bebida de coco enriquecida com sódio teve um efeito melhor no teste de desempenho em comparação com outras bebidas, mas as diferenças não foram estatisticamente significativas, portanto, mais tamanho da amostra pode ser incluído para obter melhores resultados. A limitação do estudo pode ser que a intervenção com água de coco foi feita apenas uma vez, uma vez durante o exercício (CHAUBEY Apala; SHARMA, Mahak; BHATNAGAR, Barkha., 2017).

Em uma pesquisa realizada com 12 homens treinados em exercícios que receberam quatro bebidas diferentes (água engarrafada pura, água de coco, água de coco concentrada ou uma bebida esportiva de carboidratos e eletrólitos) após 60 minutos em esteira, pouca diferença é observada entre as quatro condições testadas associadas aos marcadores de hidratação ou desempenho do exercício (KALMAN, Douglas S. et al., 2012).

PEART, Daniel J.,et al (2016), em outro estudo cujo objetivo foi comparar marcadores de hidratação durante exercício submáximo e o desempenho subsequente em prova de contrarrelógio com o consumo de água pura ou água de coco. Dez homens (idade 27,9 ± 4,9 anos, massa corporal 78,1 ± 10,1 kg, potência máxima média por minuto 300,2 ± 28,2 W) completaram 60 minutos de ciclismo submáximo seguidos de uma prova de contrarrelógio de 10 km em duas ocasiões. A água de coco não melhorou significativamente o desempenho no teste de tempo em comparação com a água pura e também, não houve diferenças significativas entre os testes para nenhuma das variáveis ​​fisiológicas medidas. Corroborando com outros estudos, as propriedades hidratantes da água de coco não foram diferentes da água. É certo que, a água de coco envolve alguns carboidratos e eletrólitos e é uma maneira natural de garantir o equilíbrio de fluidos. 

Bell, SK & Spriet, LL.(2026), realizaram um estudo randomizado, simples-cego e cruzado, com 8 atletas recreativos (7 homens, 1 mulher; 22,3 ± 0,4 anos e 48,2 ± 2,2 ml min kg −1 V̇ o 2 máx) que pedalaram a 70% do V̇ o 2 máx por 60 minutos até atingirem uma desidratação de 1,36 ± 0,1% (1,07 ± 0,1 kg) da massa corporal inicial e, em testes separados, ingeriram uma de três bebidas eletrolíticas: água de coco, natural em comparação com água aromatizada e bebida esportiva com carboidratos e eletrólitos, em volumes equivalentes a 150% da MC perdida. No final do experimento, foi  demonstrado que a água de coco rica em potássio, como alternativa natural de reidratação com eletrólitos, é igualmente eficaz em termos de reidratação e palatabilidade que a bebida eletrolítica comercial, após exercícios de intensidade moderada a alta, apesar de apresentar concentrações de sódio mais baixas.

Este estudo que determinou se o consumo de água de coco, em comparação com uma bebida esportiva, altera o desempenho e a fisiologia no ciclismo. Em um ensaio cruzado randomizado, 19 ciclistas experientes, sendo 15 homens e 4 mulheres (idade 30 ± 9 anos, massa corporal 79 ± 11 kg, V˙O2 pico 55 ± 8 mL·kg−1·min−1), completaram dois testes experimentais, consumindo uma bebida esportiva comercial ou água de coco isocalórica durante 90 minutos de ciclismo submáximo a 70% de sua potência máxima, seguidos por uma prova de contrarrelógio simulada de 20 km com gradiente variável. Não houve diferenças significativas (p ≥ 0,05) entre os tratamentos para nenhuma das variáveis ​​fisiológicas ou de desempenho medidas. Além disso, a análise do tamanho do efeito mostrou apenas diferenças triviais (d ≤ 0,2) entre os tratamentos para todas as variáveis ​​medidas, exceto para a glicemia, que foi menor no grupo que consumiu água de coco em comparação com o grupo que consumiu a bebida esportiva (d = 0,31). Em conclusão, o consumo de água de coco teve um efeito semelhante no desempenho no teste de ciclismo contra o relógio e nas respostas fisiológicas ao consumo de uma bebida esportiva comercial (O’BRIEN, Brendan J. et al., 2023).

Em um estudo para avaliar o impacto no estado de hidratação e no cardiovascular drift (caracterizado pelo aumento exacerbado da frequência cardíaca (FC), acompanhado pela redução do volume de ejeção (VE) e fluxo sanguíneo para o músculo exercitado em estado de desidratação), em praticantes de exercícios em academia de ginástica, após o uso da água de coco como repositor hídrico. Foi observado que a água de coco teve o mesmo impacto que a água em relação a hidratação e o cardiovascular drift (Chagas et al., 2017).

Outro estudo randomizado, simples-cego e cruzado, 8 atletas recreativos (7 homens, 1 mulher; demonstrou que a água de coco rica em potássio, como alternativa natural de reidratação com eletrólitos, é igualmente eficaz em termos de reidratação e palatabilidade que a bebida eletrolítica comercial, após exercícios de intensidade moderada a alta, apesar de apresentar concentrações de sódio mais baixas (SK Bell, LL Spriet, 2026).

Em uma revisão sistemática, com três estudos envolvendo atletas e não atletas com idades entre 13 e 30 anos, concluiu-se que a água de coco melhora efetivamente a resistência física e o VO₂ máx. em indivíduos saudáveis, sugerindo seu potencial como uma alternativa natural e bem tolerada às bebidas esportivas comerciais (Abdillah, F. et al, 2025).

Um estudo com onze participantes, com 22,0 ± 1,9 anos de idade e 65,6 ± 13,0 kg de massa corporal (média ± DP), se exercitaram no calor até atingirem uma desidratação de 1,84 ± 0,2% da massa corporal inicial. Em seguida, foram reidratados por uma hora com água engarrafada comercial, uma bebida esportiva ou água de coco, utilizando um volume equivalente a 120% da perda de peso. Foram avaliadas as classificações de aceitação e tolerância da bebida, e a urina foi coletada durante três horas após a reidratação. Concluiu-se que, a água de coco fresca é tão eficaz quanto uma bebida esportiva em termos de fluidos retidos após o consumo e tem boa tolerância e aceitação; ela pode ser usada para reidratação, desde que seja acessível ao indivíduo e a pessoa considere o sabor agradável (PÉREZ IDÁRRAGA, A; ARAGÓN VARGAS, L. F., 2011).

Com base nos resultados deste estudo com atletas, pode-se concluir que a água de coco é tão eficaz quanto a água de coco industrializada e as bebidas isotônicas na manutenção do estado de hidratação dos atletas, conforme observado pela densidade urinária e pela tabela de cores da urina. No entanto, a água de coco contém antioxidantes que as bebidas isotônicas não possuem; portanto, a água de coco tem potencial para ser uma bebida esportiva, pois pode manter a hidratação e minimizar o estresse oxidativo resultante do exercício, se preparada adequadamente com a adição de sódio (PRATAMA, R. Y. et al., 2022).

Em um trabalho na Indonésia, a ingestão média de líquidos após o treino entre atletas de artes marciais foi de 1.057 ml para água de coco e 1.068 ml para bebidas isotônicas. O consumo de líquidos após o treino melhorou significativamente o estado de hidratação. O aumento do pH urinário, de níveis ácidos para mais neutros, foi maior com a água de coco (1,63) em comparação com as bebidas isotônicas (0,97). Em conclusão, a água de coco verde pode ser recomendada como uma opção natural de reidratação após o exercício, pois demonstrou uma melhora mais significativa no pH urinário (Hizni A, et al., 2025).

CONCLUSÃO

O exercício físico pode provocar sudorese intensa e perdas substanciais de água e eletrólitos, principalmente em climas quentes. Se a água e os eletrólitos perdidos pelo suor não forem repostos, o indivíduo se desidratará durante a atividade física. Quando grandes quantidades de água corporal são perdidas, como durante o exercício de longa duração, o equilíbrio entre a água, os eletrólitos e o estoque de glicogênio pode ser rapidamente alterado e, a menos que esses elementos sejam repostos, podem ocorrer hipovolemia, hipoglicemia, hiponatremia, hipertermia e desidratação. A ingestão de  líquidos deve ocorrer antes, durante e depois da atividade física, evitando assim comprometimento da saúde do indivíduo, performance e da termoregulação corpórea.Portanto, manter a hidratação é essencial para atletas de resistência, pois a desidratação excessiva pode prejudicar o desempenho físico. Bebidas esportivas, como a água de coco, também contêm eletrólitos. Algumas evidências sugerem que a água de coco pode ser comparável a uma bebida esportiva. Assim, a água de coco, um produto natural, parece ser uma excelente forma de manutenção da hidratação corporal, promovendo um fator positivo no rendimento dos praticantes de esportes.

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Matéria revisada em 31/05/2026.

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