Diabetes: Dieta x Atividade Física

Chicken salad with roasted vegetables and mixed greens. Delicious healthy eating.

INTRODUÇÃO

O Diabetes mellitus (DM) tipo 2 é uma doença crônica de prevalência crescente que promove grande aumento na morbimortalidade da população brasileira.

Os principais tipos de diabetes são classificados de acordo com a causa subjacente da doença, sendo os tipos 1, 2 e o gestacional os mais comuns. O quadro de pré-diabetes também requer atenção e cuidado. O diabetes tipo 1 (5% a 10% dos casos) resulta da destruição autoimune das células β pancreáticas mediada por células, produzindo deficiência de insulina. Embora possa ocorrer em qualquer idade, as taxas de destruição das células β variam, geralmente ocorrendo mais rapidamente em jovens do que em adultos. O diabetes tipo 2 (90% a 95% dos casos) resulta da perda progressiva da secreção de insulina, geralmente também com resistência à insulina. O diabetes mellitus gestacional ocorre durante a gravidez, sendo o rastreio geralmente realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação em gestantes sem diagnóstico prévio de diabetes. O pré-diabetes é diagnosticado quando os níveis de glicose no sangue estão acima da faixa normal, mas não suficientemente altos para serem classificados como diabetes; os indivíduos afetados têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo, mas podem prevenir/retardar o seu início com atividade física e outras mudanças no estilo de vida (Colberg and Associates, 2016). A dieta para diabetes baseia-se no controle da quantidade e na qualidade dos carboidratos, priorizando alimentos de baixo índice glicêmico para evitar picos de açúcar no sangue. O plano alimentar foca em fibras, proteínas magras e gorduras saudáveis, distribuídos em 5 a 6 refeições diárias Os principais elementos são frutas, verduras e grãos integrais.(Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD). A prática regular da atividade física melhora a sensibilidade à insulina e a alimentação adequada regula o peso. Juntas, evitam picos de glicemia e reduzem o risco de doenças cardiovasculares. O exercício, especialmente a musculação (treino de força) e exercícios aeróbicos, faz com que os músculos em atividade captem a glicose do sangue para gerar energia, um processo que ocorre de forma independente e paralela à ação da insulina (SBD, 2025). Dietas balanceadas controlam a ingestão calórica e de carboidratos, o que diminui o acúmulo de gordura corporal — um dos principais fatores que agravam a resistência à insulina. Juntos, dieta e exercício favorecem a perda ou manutenção de peso (Pan American Health Organization, 2024).

Portanto, a combinação de exercícios físicos e dieta equilibrada atua de forma direta na melhora da qualidade de vida e na prevenção de riscos cardiovasculares.

DIETA

Os comitês de estudos sobre o diabetes têm orientado que as pessoas com diabetes sigam a mesma alimentação saudável recomendada à população em geral(SBD & ADA). A dieta para pessoas com diabetes baseia-se em refeições saudáveis ​​em horários regulares. Fazer as refeições em horários regulares ajuda o corpo a utilizar melhor a insulina que produz ou que recebe através de medicamentos.

Um nutricionista pode ajudar o paciente a elaborar uma dieta com base em seus objetivos de saúde, preferências e estilo de vida; além de orientar também, como melhorar seus hábitos alimentares. As orientações incluem escolher porções que se adequem às suas necessidades, considerando seu tamanho e nível de atividade.

Para a maioria das pessoas com diabetes tipo 2, a perda de peso também pode facilitar o controle da glicemia. A perda de peso oferece uma série de outros benefícios para a saúde. Um plano alimentar focado em emagrecimento para diabéticos alia controle de porções, carboidratos complexos e alimentos ricos em fibras (Mayo Clinic).

 Recomendações:

Os comitês de estudos sobre o diabetes têm orientado que as pessoas com diabetes sigam a mesma alimentação saudável recomendada à população em geral. Muitas vezes pensa-se que será necessário fazer uma dieta rigorosa, mas na verdade um planejamento e organização dos hábitos alimentares são os pilares para atingir os objetivos. Isto quer dizer que teremos que ter uma maior atenção quanto às escolhas dos alimentos e a quantidade consumida (SBD):

Tentamos resumir os primeiros passos quando nos deparamos com essa nova situação:

1 – Distribua os alimentos em 5 a 6 refeições ao dia. Não deixe de fazer o café da manhã! Se não puder fazê-lo em casa, leve um lanche reforçado para a escola ou trabalho.

2 – Nos lanches, comece sempre pelas frutas (evite sucos), mas não exagere na quantidade. Nenhum tipo de fruta é proibido!

3 – No almoço e jantar, continue a comer o tradicional arroz com feijão.

4 -A metade do prato deve ser de vegetais coloridos, principalmente os verde-escuros e amarelos. Pode ser na forma de salada crua e/ou vegetais cozidos. Evite molhos gordurosos.

5 – Escolha pequenas porções de carnes magras e faça rodízio entre as brancas, vermelhas ou ovo. Experimente também pratos vegetarianos.

6 – Evite os açúcares e alimentos açucarados. Se precisar utilize adoçante em pequena quantidade. Evite os adoçantes a base de frutose.

7- Só opte por produtos dietéticos se tiver certeza de que o mesmo atende as suas necessidades.

8 – Evite frituras e diminua o consumo de gorduras animais: carnes gordas, queijos (exceto os mais magros como, por exemplo, ricota, minas frescal, cottage), embutidos, manteiga, margarina, requeijão, creme de leite.

9 – Diminua o sal. Grande parte das pessoas com diabetes também apresentam pressão arterial elevada.

10 – Procure usar alimentos menos processados: pães integrais, aveia, arroz integral, macarrão integral, etc.

11- Evite bebida alcoólica.

12 – Tome água várias vezes ao longo do dia.

13 – Inclua como meta no seu plano de cuidado com diabetes, a consulta com um nutricionista especialista para orientação da sua alimentação ao longo da vida.

Existem diferentes abordagens para criar uma dieta saudável que ajude a manter o nível de açúcar no sangue dentro da faixa normal. Com a ajuda de um nutricionista, o diabético pode descobrir que um ou uma combinação dos seguintes métodos funciona melhor para seguir uma dieta adequada (Clínica Mayo, 2026):

Contagem de carboidratos

Como os carboidratos se decompõem em açúcar, eles têm o maior impacto sobre o nível de glicose no sangue. Para ajudar a controlar a glicemia, pode ser necessário aprender a calcular a quantidade de carboidratos que você consome com a ajuda de um nutricionista. Assim, você poderá ajustar a dose de insulina de acordo. É importante monitorar a quantidade de carboidratos em cada refeição ou lanche.

O método da placa

A Associação Americana de Diabetes oferece um método simples de planejamento alimentar, com foco no consumo de mais vegetais. Siga estes passos ao preparar seu prato:

  • Preencha metade do seu prato com vegetais não amiláceos, como espinafre, cenoura e tomate.
  • Preencha um quarto do seu prato com uma proteína magra, como peixe, carne de porco magra ou frango.
  • Preencha o último quarto com um carboidrato, como arroz integral, ou um vegetal rico em amido, como ervilhas.
Índice glicêmico

O Índice Glicêmico (IG) mede a velocidade com que os carboidratos de um alimento elevam o açúcar no sangue. Para quem tem diabetes, priorizar alimentos de baixo IG é essencial, pois eles evitam picos de glicose e ajudam a manter os níveis estáveis ao longo do dia

Algumas pessoas com diabetes usam o índice glicêmico para selecionar alimentos, especialmente carboidratos. Esse método classifica os alimentos que contêm carboidratos com base em seu efeito sobre os níveis de açúcar no sangue. Um nutricionista pode nortear a respeito deste método para o paciente diabético (Clínica Mayo, 2026).

Alimentos e bebidas com baixo índice glicêmico e carboidratos.
  • Carboidratos de 55 mg ou menos elevam os níveis de açúcar no sangue lentamente. Esses carboidratos são às vezes chamados de carboidratos de “liberação lenta”.

Exemplos:morangos, framboesas, peras, maçãs, laranjas, uvas, damascos secos, cenouras, tomates, espinafre, cogumelos, brócolis, leite sem açúcar, iogurte sem açúcar, feijões, ervilhas, lentilhas, aveia em flocos grossos (como aveia cortada em aço), pão de centeio, inhame e banana-da-terra.

Alimentos e bebidas com carboidratos de índice glicêmico médio
  • A faixa de 56 a 69 eleva seus níveis de açúcar no sangue a uma taxa moderada.

Exemplos:melão cantaloupe, abacaxi, bananas muito maduras, batata-doce, abóbora, pastinaca, favas, batatas novas, cuscuz, arroz basmati, chapati, pipoca sem tempero.

A maioria das frutas e verduras tem baixo ou médio índice glicêmico e também fornece nutrientes importantes, como vitamina C e fibras, sendo, portanto, boas opções para incluir na sua dieta diária.

Alimentos e bebidas ricos em carboidratos de alto índice glicêmico
  • Níveis de 70 ou mais elevam rapidamente os níveis de açúcar no sangue.

Exemplos:Carboidratos refinados como pão branco, alguns tipos depão integral, batatas comuns (assadas, cozidas, fritas e em purê), produtos de padaria como donuts, bagels, doces, alguns cereais matinais adoçados com açúcar, bebidas adoçadas com açúcar e melancia (veja o exemplo da melancia abaixo).

Observação importante: A maioria das frutas e vegetais inteiros tem baixo ou médio índice glicêmico, além de fornecer nutrientes importantes como vitamina C e fibras, sendo, portanto, uma boa opção para incluir na sua dieta diária.

A complexidade atribuída ao conceito de IG deve ser desmistificada a partir do entendimento deste pelos profissionais da Saúde, os quais devem estabelecer estratégias simples para facilitar a incorporação do IG na educação alimentar de pacientes diabéticos. Isso se faz necessário, uma vez que evidências crescentes corroboram da ideia de que dietas de baixo IG são capazes de melhorar o controle glicêmico de pacientes com DMT2, principalmente daqueles pacientes com níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) mais elevados (SILVA, F. M. et al., 2009)

A hemoglobina glicada (HbA1c) é o teste considerado como critério de referência para a avaliação do controle glicêmico e representa um sumário das excursões glicêmicas durante as seis a oito semanas que precedem a sua mensuração. Valores de HbA1c próximos ou inferiores a 7% são capazes de reduzir complicações microvasculares e neuropáticas em pacientes com DM e, possivelmente, complicações macrovasculares (American Diabetes Association, 2008).

Atividade física

Exercícios recomendados

Para indivíduos com pré-diabetes, em risco aumentado de desenvolver DM2, 150 minutos de atividade física aeróbica de moderada intensidade reduz o risco de diabetes tipo 2. Para pessoas com DM2, a prática de exercícios combinados resistidos (pelo menos 1 ciclo de 10 a 15 repetições de 5 ou mais exercícios, duas a três sessões por semana, em dias não consecutivos) e aeróbicos (no mínimo 150 minutos semanais de moderada ou equivalente de alta intensidade, sem permanecer mais do que dois dias consecutivos sem atividade) promovem reduções significativas da HbA1c.Recomenda-se, também, que adultos, especialmente os idosos, realizem exercícios físicos que melhorem o equilíbrio, como tai chi e yoga, duas vezes a três vezes por semana

(Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023).

O exercício aeróbico envolve movimentos repetidos e contínuos de grandes grupos musculares. Atividades como caminhada, ciclismo, corrida e natação dependem principalmente dos sistemas aeróbicos de produção de energia. O treinamento de resistência (força) inclui exercícios com pesos livres, máquinas de musculação, peso corporal ou faixas elásticas de resistência. Exercícios de flexibilidade melhoram a amplitude de movimento das articulações. Exercícios de equilíbrio beneficiam a marcha e previnem quedas. Atividades como tai chi e ioga combinam flexibilidade, equilíbrio e resistência (Colberg and Associates).

Fisiologia do Exercício

Durante a atividade física, o consumo de oxigênio em todo o corpo pode aumentar em até 20 vezes ou mais. Então, o músculo esquelético usa, em um aumento considerável, glicogênio e triglicerídeos, bem como ácidos graxos livres (AGL) derivados da quebra de triglicerídeos do tecido adiposo e glicose liberada do fígado. Para preservar a função do sistema nervoso central, os níveis de glicose no sangue são notavelmente bem mantidos durante a atividade física. A hipoglicemia praticamente não existe, durante atividade física em indivíduos não diabéticos, pois a glicemia é mantida nos parâmetros normais durante a atividade física em grande parte mediados hormonalmente. A diminuição da insulina plasmática e a presença de glucagon parecem ser necessárias para o aumento precoce da produção hepática de glicose durante a exigência da atividade física, e durante o prolongamento do exercício, aumentos no glucagon e catecolaminas no plasma parecem desempenhar também, um papel fundamental. Essas adaptações hormonais são essencialmente perdidas em pacientes com diabetes tipo 1 deficientes em insulina. Como conseqüência, quando tais indivíduos têm pouca insulina na circulação devido à terapia inadequada, uma liberação excessiva de hormônios contra insulina durante a atividade física pode aumentar a glicose e os corpos cetônicos e pode até mesmo precipitar cetoacidose diabética. Além disso, a administração de insulina exógena, pode atenuar ou mesmo prevenir o aumento da mobilização de glicose e outros substratos induzidos pela atividade física, e hipoglicemia pode ocorrer. A situação se assemelha em pacientes com diabetes tipo 2 em terapia com insulina ou sulfoniluréia; no entanto, em geral, a hipoglicemia durante atividade física tende a ser um problema menor nesta população. De fato, em pacientes com diabetes tipo 2, a atividade física pode melhorar a sensibilidade à insulina e ajudar a diminuir os níveis elevados de glicose no sangue, mantendo-os dentro da faixa considerada normal (American Diabetes Association, 2004).

Benefícios da atividade física

Os possíveis benefícios da atividade física para o paciente com diabetes tipo 2 são substanciais e estudos recentes fortalecem a importância de programas de atividade física de longo prazo para o tratamento e prevenção dessa anormalidade metabólica comum e suas complicações. Vários estudos de longo prazo demonstraram um efeito benéfico consistente do treinamento regular de atividade física no metabolismo de carboidratos e na sensibilidade à insulina, que pode ser alcançado por um prazo de pelo menos 5 anos. Os estudos usaram regimes de atividade física com uma intensidade de 50% a 80% do VO2máx (O VO2 máximo também chamado de consumo máximo de oxigênio) representa a capacidade aeróbica máxima de um indivíduo. Na tradução, o VO2 seria a maior capacidade de oxigênio que uma pessoa consegue utilizar do ar inspirado enquanto faz um exercício físico aeróbico) três a quatro vezes por semana durante 30 a 60 minutos por sessão, obtendo-se melhorias na HbA1 (Hemoglobina Glicada) com relação aos valores de referência (NAJAFIPOUR, Farzad et al., 2017).

Exercícios aeróbicos e de resistência podem melhorar os níveis de glicose em pessoas que convivem com a diabetes. A atividade física aeróbica inclui caminhar, andar de bicicleta e dançar, enquanto o exercício de resistência inclui atividades que aumentam a força e a massa muscular. Um exemplo inclui, o uso de pesos livres. A recomendação atual é que as pessoas com diabetes procurem pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana, além de participar de exercícios de resistência e força pelo menos duas vezes por semana. Atividades de rotina diária, também contam como atividade física. Além disso, as atividades realizadas de acordo com as conveniências em seus respectivos turnos, também são contados ou levados em consideração. Para aqueles sedentários que pretendem começar, pode ser de forma gradual com apenas 5 minutos no início e depois aumentar. As atividades podem ser variadas no intuito de motivar.Alguns exemplos de atividade física moderada que atendem as recomendações para atingir 150 minutos por semana incluem andar (incluindo no supermercado e shopping), andar de bicicleta estacionária, natação ou atividades domésticas. Antes de iniciar um programa de atividade física com níveis que não signifiquem apenas caminhar, o paciente deve ser avaliado por um médico e/ou nutricionista. Se o diabético está tomando insulina, é necessário avaliar a sua ingestão de carboidratos e se a sua medicação está devidamente ajustada, para evitar o risco de hipoglicemia.

Benefícios do exercício aeróbico

O treinamento aeróbico aumenta a densidade mitocondrial, a sensibilidade à insulina, as enzimas oxidativas, a complacência e a reatividade dos vasos sanguíneos, a função pulmonar, a função imunológica e o débito cardíaco. Volumes moderados a altos de atividade aeróbica estão associados a riscos substancialmente menores de mortalidade cardiovascular e geral, tanto no diabetes tipo 1 quanto no tipo 2. No diabetes tipo 1, o treinamento aeróbico aumenta o condicionamento cardiorrespiratório, diminui a resistência à insulina e melhora os níveis lipídicos e a função endotelial. Em indivíduos com diabetes tipo 2, o treinamento regular reduz a hemoglobina glicada (A1C), os triglicerídeos, a pressão arterial e a resistência à insulina. Alternativamente, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) promove o rápido aumento da capacidade oxidativa do músculo esquelético, da sensibilidade à insulina e do controle glicêmico em adultos com diabetes tipo 2 e pode ser realizado sem deterioração do controle glicêmico no diabetes tipo 1 (Colberg and Associates, 2016).

Benefícios do exercício de resistência

O diabetes é um fator de risco independente para baixa força muscular e declínio acelerado da força muscular e do estado funcional Os benefícios do treinamento resistido para a saúde de todos os adultos incluem melhorias na massa muscular, composição corporal, força, função física, saúde mental, densidade mineral óssea, sensibilidade à insulina, pressão arterial, perfil lipídico e saúde cardiovascular. O efeito do exercício resistido no controle glicêmico no diabetes tipo 1 não é claro. No entanto, o exercício resistido pode auxiliar na minimização do risco de hipoglicemia induzida pelo exercício no diabetes tipo 1. Quando exercícios resistidos e aeróbicos são realizados em uma mesma sessão, realizar o exercício resistido primeiro resulta em menos hipoglicemia do que quando o exercício aeróbico é realizado primeiro. Os benefícios do treinamento resistido para indivíduos com diabetes tipo 2 incluem melhorias no controle glicêmico, resistência à insulina, massa gorda, pressão arterial, força e massa magra (Colberg and Associates, 2016).

Atividade Física prolongada

Exercícios regulares e moderados podem ajudar a prevenir o diabetes tipo 2 e reduzir ou retardar as complicações do diabetes tipo 1 ou tipo 2. Mas e quanto à atividade física mais intensa, como esportes de resistência, incluindo maratonas e triatlos? Com treinamento saudável e nutrição para atingir metas individualizadas, as pessoas com diabetes podem obter melhor controle glicêmico e menos episódios de hipoglicemia (baixa taxa de açúcar no sangue) enquanto participam de esportes de resistência.Para começar o controle do diabetes é sempre a primeira prioridade. Para realizar os devidos ajustes medicamentosos e nutricionais o indivíduo diabético que realiza exercícios físicos mais extenuantes, deve consultar um médico e um nutricionista especializado em esportes e tratamento do diabetes. em seguida determinar o intervalo seguro de glicose no sangue para treinamento e competição. Evitar a hipoglicemia é importante antes, durante e após o treinamento de resistência: se o nível de açúcar no sangue for de 70 a 100 mg / dl antes do exercício, recomenda-se um lanche que inclua 15 gramas de carboidrato. Para exercícios que durem mais de 60 minutos, pode ser necessário carboidrato adicional para manter o nível de açúcar no sangue dentro de uma faixa segura (Christine Gerbstadt, 2019)

Ao iniciar um esporte de resistência, é importante seguir alguns passos:

  • Verificar o nível de açúcar no sangue com freqüência para conferir se está dentro do desejável.
  • Carregar uma forma rapidamente absorvível de glicose – bebidas esportivas, géis ou barras energéticas – durante o treinamento.
  • Comer e beber antes, durante e depois do exercício. A hiperglicemia é pior com a desidratação, e níveis elevados de açúcar no sangue podem fazer com que o corpo perca mais água.
  • Planejar as refeições, lanches e bebidas para atingir suas metas de glicose sanguinea. Incluir refeições bem equilibradas que incorporam fontes de qualidade de carboidratos distribuídas durante o dia, proteína magra e gordura saudável.

Trabalhos

Macia M et al. (2018), conduzindo um estudo com ratos Goto-Kakizaki diabéticos não obesos, os fluxos de energia do músculo gastrocnêmio, a capacidade mitocondrial e o desempenho mecânico foram avaliados de forma não invasiva e longitudinal usando imagens de ressonância magnética (RM) e espectroscopia dinâmica de RM 31-fosforosa (31P-MRS) durante 6 min. Em exercício fatigante realizado antes, no meio (4 semanas) e no final de um protocolo de treinamento de 8 semanas consistindo em corrida diária de 60 minutos em esteira. O protocolo de treinamento reduziu o nível de insulina plasmática (-61%), enquanto os níveis de glicose no sangue e ácidos graxos não-esterificados permaneceram inalterados, indicando uma melhora na sensibilidade à insulina. Também houve aumento da atividade da citrato sintase mitocondrial (+ 45%), mas esse aumento não significou aumento na capacidade de síntese oxidativa de ATP no músculo ativo in vivo, enquanto a produção de ATP glicolítico foi aumentada (+ 33%). Por outro lado, o protocolo de treinamento prejudicou a capacidade de geração de força máxima (−9%), a quantidade total de força produzida (−12%) e aumentou o custo de contração de ATP (+ 32%) durante este exercício. Esses dados demonstram que o efeito benéfico do treinamento regular sobre a sensibilidade à insulina em ratos diabéticos não obesos, ocorre separadamente de qualquer melhora na função mitocondrial do músculo e pode estar ligado a uma capacidade aumentada de metabolizar glicose através do processo anaeróbico no exercício muscular.

Hayashino, Y., Tsujii, S., Ishii, H.et al.(2018), em um estudo transversal com diabéticos japoneses, concluiu-se que escores elevados de qualidade de vida relacionados à terapia de diabetes foram associados a altos níveis de atividade física em pacientes com diabetes tipo 2, com uma média de idade dos pacientes, IMC e HbA1c de 65,8 anos, 24,7 kg / me 7,6% (58,7 mmol / mol), respectivamente. No entanto, por se tratar de um estudo transversal, mais estudos são necessários para avaliar a associação causal entre a QV (Qualidade de Vida) relacionada à terapia e a atividade física.

Recomendações
  • Entre indivíduos com alto risco de desenvolver diabetes tipo 2, programas estruturados que enfatizam mudanças no estilo de vida, incluindo perda de peso moderada (7% do peso corporal) e atividade física regular (150 min/semana), com estratégias dietéticas que incluem redução de calorias e redução da ingestão de gordura alimentar, podem reduzir o risco de desenvolver diabetes e, portanto, são recomendados (American Diabetes Association, 2008).
  • Para indivíduos com diabetes tipo 1, a terapia com insulina deve ser integrada ao padrão alimentar e de atividade física do indivíduo. A insulinoterapia, atividade física regular e planejamento alimentar, em conjunto, consistem na abordagem mais completa no tratamento de portadores de diabetes mellitus tipo 1 (DM1). 
  • Recomenda-se que indivíduos com diabetes tipo 2 implementem mudanças no estilo de vida que reduzam a ingestão de energia, ácidos graxos saturados e trans , colesterol e sódio, e que aumentem a atividade física, com o objetivo de melhorar a glicemia, a dislipidemia e a pressão arterial Um padrão alimentar que inclua carboidratos provenientes de frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas e leite com baixo teor de gordura está incluso nestas recomendações. para uma boa saúde.
  • Em indivíduos com sobrepeso e obesidade e resistência à insulina, uma perda de peso moderada demonstrou melhorar a resistência à insulina. Portanto, a perda de peso é recomendada para todos esses indivíduos que têm diabetes ou apresentam risco de desenvolvê-la.
  • Algumas das estratégias recomendadas para evitar a ocorrência de hipoglicemias são: Aumentar o consumo de hidratos de carbono antes ou depois da atividade física: por exemplo, se os valores de glicemia forem inferiores a 100 mg/dl, recomenda-se a ingestão de hidratos de carbono antes do inicio da atividade pretendida (por exemplo, meio pão simples). Após a atividade física, o risco de hipoglicemia é superior, pelo que se recomenda a ingestão de hidratos de carbono de absorção rápida se realizados esforços prolongados ( por exemplo, uma peça de fruta). No caso de pessoas sob tratamento com insulina pode ser necessário diminuir a quantidade de insulina administrada antes e/ou depois da prática de atividade física para evitar a ocorrência de hipoglicemia (Sociedade Portuguesa Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo).

Referências Bibliográficas:

  1. American Diabetes Association; Physical Activity/Exercise and Diabetes. Diabetes Care 1 January 2004; 27 (suppl_1): s58–s62. 
  2. American Diabetes Association, Bantle JP, Wylie-Rosett J, Albright AL, Apovian CM, Clark NG, et al. Nutrition Recommendations and Interventions for Diabetes. A position statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care. 2008;31 Suppl 1:S61-78.
  3. COLBERG, Sheri R. et al. Physical activity/exercise and diabetes: a position statement of the American Diabetes Association. Diabetes Care, v. 39, n. 11, p. 2065, 2016.
  4. Diabetes tipo 2 e Atividade Física. Sociedade Portuguesa Endocrinologia, Diabetes e          Metabolismo. https://www.spedm.pt › glandulas-e-doencas-endocrinas.
  5. Diabetes and Endurance Sport By Christine Gerbstadt, MD, RD Academy of Nutrition and Dietetics. Published: November 25, 2019.
  6. Dieta para Diabetes. Crie seu plano alimentar saudável. Clínica Mayo. 2026
  7. Hayashino Y; Tsujii S; Ishii H; Association of diabetes therapy-related quality of life and physical activity levels in patients with type 2 diabetes receiving medication therapy: the Diabetes Distress and Care Registry at Tenri (DDCRT 17).Acta Diabetol;55(2):165-173, 2018 Feb.
  8. Macia M et al. Exercise training impacts exercise tolerance and bioenergetics in gastrocnemius muscle of non-obese type-2 diabetic Goto-Kakizaki rat in vivo. Biochimie;, 2018 Feb 27.
  9. NAJAFIPOUR, Farzad et al. Effect of regular exercise training on changes in HbA1c, BMI and VO2max among patients with type 2 diabetes mellitus: an 8-year trial. BMJ open diabetes research & care, v. 5, n. 1, 2017.
  10. Reviewed by Taylor Wolfram, MS, RDN, LDN. Published April 3, 2019 Can I Exercise if I Have Diabetes? Academy of Nutrition and Dietetics,
  11. SILVA, Flávia Moraes et al. Papel do índice glicêmico e da carga glicêmica na prevenção e no controle metabólico de pacientes com diabetes melito tipo 2. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 53, p. 560-571, 2009.
  12. Silva Júnior WS, Fioretti A, Vancea D, Macedo C, Zagury R, Bertoluci M. Atividade física e exercício no pré-diabetes e DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2023). DOI: 10.29327/557753.2022-8, ISBN: 978-85-5722-906-8.
  13. https://diabetes.org.br/descobri-que-tenho-diabetes-como-devera-ficar-minha-alimentacao? SBD.
  14. https://www.diabetes.org.uk/living-with-diabetes/eating/carbohydrates-and-diabetes/glycaemic-index-and-diabetes. Diabetes UK.

Revisado em 09/06/2026.

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